terça-feira, 9 de setembro de 2014

É no minuto da incerteza, onde não sobra labaredas,
Que seu riso faz-se pranto, e perdes a graça do encanto...
É no disforme do branco que some, do silêncio imaculado,
Que não se enxerga mais de um bocado...
É onde a graça perde sua vez, lá onde sobra insensatez,
Onde seu viço corre, perde o rebolado, e tua angústia canta dobrado...
Na curva torta do seu caminho , no salto errado em desalinho,
Na trama morna de quem ficou, no entorno vago do que passou...
Ali no canto , há que se olhar!
Do desespero tornado caldo, a faísca lampeja do teu quebrado...
Reapara bem, não esmoece!
É ali no canto que esse fio tece!
Tem linha solta a fiar, te esperando afoita a se levantar,
Ergue tua mão, faz-te um legado,
Toma pra si o traço riscado!
É só lá com ele, que vai começar,
O teu passo novo, o teu fim pesar.
Mas olha, repara e não guarda para o amargo,
Seu altar de egoísmo canonizado!
Desfaz do teu hábito para recriar:
E arrisque outros tombos, em seu novo trilhar.

Luciana Muterle Pazetto

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