De tanta simplicidade se esgota a validade,
De tanto pormenor cai em bicas tal suor...
De tanta displicência faz montanhas de tormentas,
De tanto vendaval cobra líquido o temporal...
De tanta azucrinação some o sulco do silêncio a imensidão!
De tanta leveza a então soltura,
Não sobra em si um cisco em levedura...
De tanta falta sente o dia quente,
Não sobra vasto, um lastro pertinente...
De tanto encanto vão que corre solto,
Não fica um véu de gosto assim afoito...
De tanta luz carmim e desigual,
Só explode o gosto amargo, reluzente tal cristal...
De tantos se, talvez, sem ter porquê...
Só espelha esboço assim,
Semblante vago de você.
Luciana Muterle Pazetto
Nenhum comentário:
Postar um comentário