terça-feira, 15 de julho de 2014



É!
A gente não escolhe com quem quer se importar,
Talvez seja isso que explique o mal-estar...
A gente não faz ideia do inferno que vai pisar,
Talvez isso explique o arriscar...
A gente não espera que algo possa piorar,
Talvez isso explique o fato de tentar...
A gente não imagina desabar,
Talvez isso explique a ideia de continuar...
A gente esquece ou finge assim o desesperar,
Talvez isso explique o tanto errar...
A gente não define o outro ímpar,
Talvez isso explique nosso pesar...
A gente vive assim, de não sei o que lá,
A gente sobrevive enfim, sob o passo que vai dar!
A gente morre assim, de viver para pensar!
E antes pensar fosse solúvel,
como respostas a engavetar...
Pensar nunca basta numa mente a questionar,
É essa larva... Derradeira, fina e bruta:
A necessidade constante do entendimento...
É este o mal que nos faz sem fim pulsar!

Luciana Muterle Pazetto

segunda-feira, 14 de julho de 2014



Fez-se da vertente uma corrente,



Translúcida, opaca, cheia de dentes!



Com termômetros e temores anuentes,



Com valsas bambas parcas entre as gentes!



Com invólucro parado,



Igual serpente!



Com rasgos bem guardados do presente,



Com passos acabados sempre ausentes!



Com trilhas, mil dobrados entre as sementes!



Com vultos separados envolventes,



Volúpia inestimada, tal a torrente...



Um morno enfim casado, a própria mente!



Em tênue aprendizado dos dormentes...



 



Luciana Muterle Pazetto

segunda-feira, 7 de julho de 2014


Desses temporais que amanciam, essa calmaria que devasta...
Destas luzes foscas todo dia, este instante inquieto que perpassa...
Desta sombra algoura que inebria, esta nuvem enchente que abraça...
Deste riso frouxo que agonia, este solo quente que afasta...
Afasta pés em desalinho na propulsão perdida no caminho,
Afasta mãos calejas de outros ninhos, na súbita promessa de algodão;
Encosta teu semblante em fio mansinho, conforte tua paz sem coração,
Amplia teu espaço enfim, sozinho! Que espera tua graça num clarão;
Revolve tua falha em fio soltinho, laçando a sua estrada em concessão,
Não desfigure passo em desalinho, sustenta tua falta de razão;
Recobra tua marcha em rio clarinho, vivendo teu agora num borrão!



Luciana Muterle Pazetto

quarta-feira, 2 de julho de 2014



Uma hora você vai embora, e não haverá nada que possa levar!
Nenhuma promessa para agarrar,
Tão pouco a lástima de ter sido avisado...
Neste mundo de anormais ,
Grite do canto de onde estiver!
Admita-se ou contrarie-se que eu te pergunto:
Afinal quem não é?
O que te faz falta... Até que ponto é?
Você faz seu dia... Ou só faz café?
Tua alma te esfria... Ou te sobra fé?
Do porto ao cajado, do laço enfeitado, dos teus mal bocados...
E então? O que você é?
Você canta tuas notas, ou finge mudez?
Olha lá teu espelho ou se faz embriagues?
Tropeça em ventania, se esbalda em apatia...
Faz de tudo o cais e não suporta seus temporais?
Está tudo em flagelos ou você nem vê mais?
Sê ancora na inércia... Só não calunia!
Nefasta seu limbo e ignore a calmaria...
Cambaleie teus passos... Não reclame cansaços!
Reencontre teu viço do jeito que for... Não espere feitiços, contente-se em dor,
Pois dor não é morte... Nem rasgo dobrado!
Não é fardo perdido, ou muro chapiscado...
Dor é cartilha, é APRENDIZADO!

Luciana Muterle Pazetto