domingo, 23 de fevereiro de 2014



Ai minha sanidade esvaída,
Que fazes tu com minha vida?
Quem permissão tomou-lhe convite a partida?
Que podes tu fazer-me por qualquer ida...
Queres ver-me a espreita,
A volver toda a tormenta refeita?
Que queres de mim afinal?
Já não bastam os restos que me fazem tão mal?
Não são benignas para tu, todas as pontes que desfaço erroneamente?
Não serves para que te cales e não mais me atormente?
Fique com as sobras deixa-me nua,
Fique com a vida, a minha e a tua!
Leva-mes o que quiser,
Mas simploriamente peço-te curvada:
Deixa-mes enfim, precisas compreender-me!
Sei que tu és mulher!
Guarde um rasgo de complacência...
Por favor, tenha a decência!
Vá, toma-te tudo o que não é teu,
Deixa-me aqui com meu declínio e meu apogeu.

Luciana Muterle Pazetto

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014



Sabes o orgulho? Eu sei do meu!
Um infortúnio, de ser só eu.
Uma desponta,  de um traço cru;
O que me amedronta, me faço nú;
Calços os sapatos: Reflexão!
Olho no espelho: Que confusão!
De quem eu era, o que restou?
Do que vou ser, quanto sobrou?
E deste agora, aqui estou?
Quem é este aí, que não chegou?
Que falta nele? Que fim levou?
Que recomeçou ele testou?
Quais as respostas, a enfim saber?
São todas mortas? São do querer?
Qual vida a tua? Só isso em ser?
Que cisco: A Lua, teima em te ver!
Pensando em ir, volto mordaz,
Reflete em mim um teu cartaz;
A ida toda, assim a esmo,
Vira a revolta, enxergo eu mesmo;
Descalço assim, os meus sapatos,
Pois,  hoje é dia de salto alto,
Deixo de canto o neurônio frio,
Volto da festa,
Tudo vazio!
Calor da cama, um arrepio,
É teu semblante, em mim anil,
Desesperante, o estado vil.

Luciana Muterle Pazetto


E esta intriga aqui em meu ser,
É exatamente o não saber;
Dos olhos à luz,
A escuridão!
Do corte curvo do teu sorriso, o canto da boca... tão impreciso!
Dos gestos vãos, e corriqueiros, o mistério infindável, um devaneio!
Da tua risada e tua franqueza, a minha tormenta... Que inflama e esquenta!
De toda a voz, o ouvir calar... Cheio de letras a se soltar...
Do cotidiano ao detalhe sutil, um oceano! Pensamentos mil!
Uma aspereza que me desmonta, nenhuma surpresa, mas tu, que afronta!
Do reles fato...
Só tua presença me desfalece, se faz sentença... Me enobrece!
De tudo eu sei, faço fugir!
O dúbio agora, é desta hora...
O que fazer, com o não sentir?

Luciana Muterle Pazetto


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Tudo o que valeu a pena não deveria ter acontecido,

Porque se a saudade existe,

Significa que não queríamos que tivesse ido,

E se um dia se foi, porque motivo num dia, o início tenha havido?

Luciana Muterle Pazetto


sábado, 1 de fevereiro de 2014



Você me bagunça, me centeia,
Definiu em mim sentença...
Desfez a minha teia...
Você me cessa e me corta a coragem de querer abrir passagem,
Para entrar em seu mundo, com toda esta bagagem...
Do passado: Do teu, do meu, de tudo o que ficou...
Eu me enrosco nesse agora como um trilho que sobrou...
Eu queria fazer hora e com ela não sentir,
Ver tuas sobras na matéria e tal posse não imprimir,
Eu queria só o desloque,
A parte vã,
A coisa vil...
Eu queria exprimir só a nota da música ouvida a grosso modo e não sentir...
Em meu colóquio,
Sem qualquer foco,
Eu sento aqui e passo a olhar...
Procuro o tempo, abro o tormento,
Me faço arfar...
Qual a distância, se sinto tanta, entre nós dois?
O lábio cola, o lençol embola e enfim... Depois?
Depois me sobra uma cadência assim pueril...
Eu mal te olhei, de um jeito incerto, mas te beijei...
Ali no laço, então compasso eu te amei,
E ainda assim, que réu enfim, mal me encostei...
Que coisa é esta assim para ser tão infantil?
É só querer,
É só prazer,
Ou amor sutil?
Tudo aqui dentro parece estar tão bagunçado...
Um sonho bobo... Está tão errado!
Não era apenas, e com sabor, sentir amor?
O que tenho aqui e não pedi,
Não acho cor nem entendi...
É isso assim, este tambor... Dentro de mim.

Luciana Muterle Pazetto