Ai minha sanidade esvaída,
Que fazes tu com minha vida?
Quem permissão tomou-lhe convite a partida?
Que podes tu fazer-me por qualquer ida...
Queres ver-me a espreita,
A volver toda a tormenta refeita?
Que queres de mim afinal?
Já não bastam os restos que me fazem tão mal?
Não são benignas para tu, todas as pontes que desfaço
erroneamente?
Não serves para que te cales e não mais me atormente?
Fique com as sobras deixa-me nua,
Fique com a vida, a minha e a tua!
Leva-mes o que quiser,
Mas simploriamente peço-te curvada:
Deixa-mes enfim, precisas compreender-me!
Sei que tu és mulher!
Guarde um rasgo de complacência...
Por favor, tenha a decência!
Vá, toma-te tudo o que não é teu,
Deixa-me aqui com meu declínio e meu apogeu.
Luciana Muterle Pazetto