sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Tem a hora que te prende, mas a outra que te esvazia...
Tem aquela que te cura, e a outra que te esfria...
Tem tormenta que ressalva, tem rancor que alivia...
Tem penumbra que desfalca, tem saber que silencia...
Tem espelho que te entrega, e tem gota que atrofia!
Tu tem mares que te inundam... E oceanos te inebriam...
Tem o visgo que repele, e tem alma que arrepia...
Todo o tempo tem você: Dentro de uma ventania!
Os seus sopros são do mundo, são da margem, são do fundo...
Sua hora é seu agir, seu momento de valia...
Valha o sulco da tua essência! Valha o laço da alegria...
Faça o que fordes correr: Por seguro sentencia...
Sentencia teu caminho, o teu passo, tua linha...
Cabe um sopro em tua guarda, no olhar da harmonia.
Sorria... Sorria!

Luciana Muterle Pazetto

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ana Beatriz
 
Você tem o mesmo cheiro de arco-íris do primeiro dia que te peguei no colo,
Você tem uma lâmpada fluorescente em seu sorriso toda vez que me proporciona risadas compartilhadas ainda que sejam contidas por sua timidez,
Você tem o brilho de zilhões de estrelas num céu azul iluminado pelo espetáculo da vida,
Você tem o semblante de todas as minhas bonecas da infância e transborda na minha alma a doçura que este tempo me inundou inocentemente,
Você tem um jardim de flores entre os dedos dos seus pés e te garanto que estarei ao seu lado em qualquer caminho que almeje prosseguir quando chegada a sua hora de crescer,
Você tem fios de neon no seu abraço e todas as estrelas cadentes que passam por aqui, só passam para te ver!
 


Luciana Muterle Pazetto


Que seja...
 
O que é mesmo aquele nome onde não se deixa de sentir o outro dilacerado?
Que importa se falta parte, se tomba a arte, se sobra cansaço ou vasta razão?
Imagina que é um cisco o tormento que te o faz ver neste momento em risco,
Pensa que é uma poeira... todas as vezes que pensa enxergar naquele olhar um fogo minguado... ausente de lareira,
Entende que o outro é profundo mistério e nunca será a ti desvelado uma próloga porção de sua parte sequer,
Ainda que insistas em descobrir anseios, devaneios, golpes, desejos ou insatisfações alheias,
No mínimo do bem quisto a recorrer, arranjarás para teu desassossego rebenta não valia a proceder,
Que seja um mosaico de luz em tua vida... siga,
Que seja um penhasco em tua cama... ama,
Que seja um papel em tua frente... escreva,
Que seja um risco de sorriso na fresta da janela... deseja,
Que seja um segundo único em seu mundo... lampeja,
Que seja ! Apenas deixe... que seja!

Luciana Muterle Pazetto

sábado, 19 de outubro de 2013

Como cabem dentro de um mesmo corpo e uma mesma alma sentimentos tão opostos em relação às mesmas vertentes que procuramos entender?
Que mistério é este que envolve uma criatura que se conhece desde seu nascimento e ao se olhar no espelho em frente seus anos vividos corriqueiramente percebe e encontra sem saber o local exato tantas emoções ao mesmo tempo?
Como ternura e frieza cabem na mesma gaveta? Como carinho e contenção ocupam a mesma proporção?
Porque afeto e desprezo aprendidos ficam nos armários do mesmo sentido? Ocupam a mesma linha: as asas do desejo com os arranhados das dores mesquinhas?
Quão incrível tem um ser que quanto mais procura viver, mais lento percebe seu proceder...
Quanto maior sua busca pela completude e exatidão, mais se afasta da sentimentalidade que míngua as frestas da razão?
Quanto mais caminhos escolhe para seguir, perde a si mesmo e aos encantos que brotam no porvir?
Quantas horas e quantas virtudes podem preencher a essência deste ser?
Talvez a melodia que não cessa, uma dança que nunca alcança, um gramado nunca cortado, uma gota árdua de uma lágrima ou a curva marcada de um riso muito esperado sejam partes para respostas como estas em questão.... Talvez seja apenas uma reflexão... e ... Talvez não!

Luciana Muterle Pazetto


Esta perene suave e maçiça que envolta em pensamento se faz tua a todo momento,

Assopra e arde constantemente minha estrada ... Algo dormente, entorpecente...

Sombra que invade o suor do meu desespero, luta que trava e sacia meus devaneios em tempos e lugares que minha alma procura alcançar...

Margem ribeira que entrega a meus pés o conforto sereno das tormentas cessadas pela lembrança de um sorriso que candeia o ensurdecer do meu silêncio a espera de mais um instante cortante...

Instante imaginário, sabido de cor...

Colorido e intenso na versão que pulsa a intenção do vislumbre em seu olhar...

Longínquo, perdido, temido, vivido e não pensado...

Mas que conotação tecer sobre o que não posso por fim compreender sobre tal parecer?


A que deriva enfim descrição, se em tormenta nenhum verso define ou prioriza de fato razão?

Luciana Muterle Pazetto

domingo, 8 de setembro de 2013



Inconstâncias
 
Não é que eu aprecie a companhia constante da rotina, mas a inconstância contínua de qualquer fato e suas metades quase inalcançáveis, me bloqueiam a visão apesar do descontrole sentimental.
Verdade é que sentimento faz casa sem permissão, muda órgãos de lugar num relampejar e reviram-nos do avesso como tufões acabrunhados sem pestanejar, mas a racionalidade quando forçadamente acionada pela menor partícula do cérebro chama-te à conclusão de que é impossível passar os dias sem levar seus pensamentos à quista compreensão dos motivos que deixaram de demonstrar algumas coisas num certo jeito para passarem a ser vistas de outro... 
Por que cargas d’água você aceitou seus olhos te traírem e te enveredarem para passos que não sabia supor se possuía calçados apropriados no seguimento do caminho?
O que leva uma mente a desviar sua atenção de concepções já priorizadas em sua essência, a diagnosticar como incompleta a sensação que já se havia internalizada e estabelecida como pronta?
Qual é a névoa que faz torcer-nos o pescoço de lado para admirar a mesma coisa, pessoa ou situação com olhos de “Por que estou vendo isso dessa forma agora?” ...
Qual nome atribuir junto à presente necessidade de se reinventar cheiros, lugares, sorrisos, nuances, conversas, suspiros, travesseiros ...
Possivelmente o tempo seja capaz de transformar ventos descabidos em mormaços aprazivos, mas enquanto estas inconstâncias ocorrem descortinadas pela corrida de seu senhor, a fumaça da mentalidade humana queima os neurônios, e talvez suas melhores sensações, em momentos desnecessários a evolução da própria alma.

Luciana Muterle Pazetto

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Toda dor vem de um coração não fundamentado,
Todo fundamento dispensa racionalidade...
Porém e além de subjetividade, qualquer fundamento requer sensatez,
Em contrapartida, sensatez proclama equilíbrio...
E equilíbrio cobra discernimento!
Discernimento remete reflexões...
E reflexões: Autoconhecimento.

Luciana Muterle Pazetto

quinta-feira, 1 de agosto de 2013



Sim, eu tenho sentimentos exacerbados e tudo ao meu redor me atinge como um frasco arranhado que espera sua coleta de para sobre algum lugar.
Desde todas as coisas efêmeras até as mais significativas da essência que torna o universo humano, me chega o convite da apreciação por cada gosto que possa ser admitido num contexto particular que me inunda a alma de exuberâncias ou pormenores.
Um cisco ou um tufão desdobram no tempo das minhas singularidades na mesma proporção daquelas ondas noturnas que o oceano debate para findar próspero ou em vão.
Se todas as sutilezas ou despedidas me cercarem por segundos de inércia ou compreensão, ficarei a mercê da deriva desta vida, sempre com um lápis e papel na mão.
Pois que somos todos essa incongruência de ideia, arremate e contemplação...
Serve então no porvir dos passos calçados ou não, a cadeira do autoconhecimento para longa análise ou propensão...
A reflexão dos fatos ou sentimentos espera o relógio intro biológico, que nos desperta nos dias de solidão, às chamas que buscamos encontrar solução.

Luciana Muterle Pazetto

quarta-feira, 17 de julho de 2013



Na brancura deste insólito momento, todas as cores que deveriam extasiar a minha alma e fazê-la flutuar por contentamento do quisto e bem resolvido, se debatem e alçam voo para todas as direções que não me cercam...

Luciana Muterle Pazetto