domingo, 8 de setembro de 2013



Inconstâncias
 
Não é que eu aprecie a companhia constante da rotina, mas a inconstância contínua de qualquer fato e suas metades quase inalcançáveis, me bloqueiam a visão apesar do descontrole sentimental.
Verdade é que sentimento faz casa sem permissão, muda órgãos de lugar num relampejar e reviram-nos do avesso como tufões acabrunhados sem pestanejar, mas a racionalidade quando forçadamente acionada pela menor partícula do cérebro chama-te à conclusão de que é impossível passar os dias sem levar seus pensamentos à quista compreensão dos motivos que deixaram de demonstrar algumas coisas num certo jeito para passarem a ser vistas de outro... 
Por que cargas d’água você aceitou seus olhos te traírem e te enveredarem para passos que não sabia supor se possuía calçados apropriados no seguimento do caminho?
O que leva uma mente a desviar sua atenção de concepções já priorizadas em sua essência, a diagnosticar como incompleta a sensação que já se havia internalizada e estabelecida como pronta?
Qual é a névoa que faz torcer-nos o pescoço de lado para admirar a mesma coisa, pessoa ou situação com olhos de “Por que estou vendo isso dessa forma agora?” ...
Qual nome atribuir junto à presente necessidade de se reinventar cheiros, lugares, sorrisos, nuances, conversas, suspiros, travesseiros ...
Possivelmente o tempo seja capaz de transformar ventos descabidos em mormaços aprazivos, mas enquanto estas inconstâncias ocorrem descortinadas pela corrida de seu senhor, a fumaça da mentalidade humana queima os neurônios, e talvez suas melhores sensações, em momentos desnecessários a evolução da própria alma.

Luciana Muterle Pazetto

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