quarta-feira, 24 de setembro de 2014



Quando menos se espera algo expande sem mexer,
Ou se esconde ou se aglomera, sem teu corpo perceber...
Em um dia tão igual, dos iguais junto aos demais,
Vem aquilo que sem nome se aconchega e te desfaz...
A princípio é devagar, corre manso e não faz mar,
Quando então sem de repentes, não se tem como arrancar...
Mas que isso desigual? Feito de um nada colossal...
Se refletido não tem visor,
Se mal sentido não tem valor,
Se escondido sobra vapor,
Se invadido se faz torpor...
Se imcompreendido, torna-se rente,
Borbulha aos debates da própria mente...
É muito novo e casual, mas vem do velho tão seu usual!
Vem de encanto, sem proceder, torna-se tanto um bem querer,
Torna-se findo o não saber...

Luciana Muterle Pazetto

terça-feira, 9 de setembro de 2014

É no minuto da incerteza, onde não sobra labaredas,
Que seu riso faz-se pranto, e perdes a graça do encanto...
É no disforme do branco que some, do silêncio imaculado,
Que não se enxerga mais de um bocado...
É onde a graça perde sua vez, lá onde sobra insensatez,
Onde seu viço corre, perde o rebolado, e tua angústia canta dobrado...
Na curva torta do seu caminho , no salto errado em desalinho,
Na trama morna de quem ficou, no entorno vago do que passou...
Ali no canto , há que se olhar!
Do desespero tornado caldo, a faísca lampeja do teu quebrado...
Reapara bem, não esmoece!
É ali no canto que esse fio tece!
Tem linha solta a fiar, te esperando afoita a se levantar,
Ergue tua mão, faz-te um legado,
Toma pra si o traço riscado!
É só lá com ele, que vai começar,
O teu passo novo, o teu fim pesar.
Mas olha, repara e não guarda para o amargo,
Seu altar de egoísmo canonizado!
Desfaz do teu hábito para recriar:
E arrisque outros tombos, em seu novo trilhar.

Luciana Muterle Pazetto

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

De tanta simplicidade se esgota a validade,
De tanto pormenor cai em bicas tal suor...
De tanta displicência faz montanhas de tormentas,
De tanto vendaval cobra líquido o temporal...
De tanta azucrinação some o sulco do silêncio a imensidão!
De tanta leveza a então soltura,
Não sobra em si um cisco em levedura...
De tanta falta sente o dia quente,
Não sobra vasto, um lastro pertinente...
De tanto encanto vão que corre solto,
Não fica um véu de gosto assim afoito...
De tanta luz carmim e desigual,
Só explode o gosto amargo, reluzente tal cristal...
De tantos se, talvez, sem ter porquê...
Só espelha esboço assim,
Semblante vago de você.

Luciana Muterle Pazetto