Inconstâncias
Não é que eu aprecie a companhia constante da rotina, mas a
inconstância contínua de qualquer fato e suas metades quase inalcançáveis, me
bloqueiam a visão apesar do descontrole sentimental.
Verdade é que sentimento faz casa sem permissão, muda órgãos
de lugar num relampejar e reviram-nos do avesso como tufões acabrunhados sem
pestanejar, mas a racionalidade quando forçadamente acionada pela menor
partícula do cérebro chama-te à conclusão de que é impossível passar os dias
sem levar seus pensamentos à quista compreensão dos motivos que deixaram de demonstrar
algumas coisas num certo jeito para passarem a ser vistas de outro...
Por que
cargas d’água você aceitou seus olhos te traírem e te enveredarem para passos que
não sabia supor se possuía calçados apropriados no seguimento do caminho?
O que leva uma mente a desviar sua atenção de concepções já
priorizadas em sua essência, a diagnosticar como incompleta a sensação que já
se havia internalizada e estabelecida como pronta?
Qual é a névoa que faz torcer-nos o pescoço de lado para
admirar a mesma coisa, pessoa ou situação com olhos de “Por que estou vendo
isso dessa forma agora?” ...
Qual nome atribuir junto à presente necessidade de se reinventar
cheiros, lugares, sorrisos, nuances, conversas, suspiros, travesseiros ...
Possivelmente o tempo seja capaz de transformar ventos
descabidos em mormaços aprazivos, mas enquanto estas inconstâncias ocorrem
descortinadas pela corrida de seu senhor, a fumaça da mentalidade humana queima
os neurônios, e talvez suas melhores sensações, em momentos desnecessários a
evolução da própria alma.
Luciana Muterle Pazetto